{"id":6126,"date":"2024-02-09T00:00:00","date_gmt":"2024-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/p4.rvinfo.com.br\/blog\/stf-julga-com-mais-rapidez-acoes-de-vinculo-de-emprego\/"},"modified":"2025-10-30T22:01:20","modified_gmt":"2025-10-30T22:01:20","slug":"stf-julga-com-mais-rapidez-acoes-de-vinculo-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/chiode.com.br\/en\/insights\/stf-julga-com-mais-rapidez-acoes-de-vinculo-de-emprego\/","title":{"rendered":"STF judges employment relationship cases more quickly"},"content":{"rendered":"<p>Os ministros v\u00eam acumulando decis\u00f5es para liberar contratos distintos do previsto<br \/>\nna CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), segundo levantamento do grupo de<br \/>\npesquisa Trabalho e Desenvolvimento da FGV Direito SP.<\/p>\n<p>Decis\u00f5es monocr\u00e1ticas sobre terceiriza\u00e7\u00e3o, pejotiza\u00e7\u00e3o e uberiza\u00e7\u00e3o mostram a<br \/>\nrecorr\u00eancia do debate. A rapidez com que os ministros julgam tamb\u00e9m chama a<br \/>\naten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento da FGV, 15,7% das reclama\u00e7\u00f5es constitucionais \u2014<br \/>\ninstrumento usado para derrubar uma decis\u00e3o de inst\u00e2ncia inferior que<br \/>\nsupostamente afronta precedentes do STF\u2014 recebem uma decis\u00e3o monocr\u00e1tica no<br \/>\nmesmo dia ou, no m\u00e1ximo, no dia seguinte \u00e0 chegada do caso que questiona formas<br \/>\nde contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por se tratar de reclama\u00e7\u00f5es, a an\u00e1lise tende a ser de fato mais c\u00e9lere, mas em tema<br \/>\ntrabalhista a agilidade \u00e9 ainda maior. Ao versarem sobre outros temas, apenas<br \/>\n6,29% dos casos foram julgados no mesmo per\u00edodo.<br \/>\nOs dados in\u00e9ditos, aos quais a Folha teve acesso, integram a segunda etapa da<br \/>\npesquisa &#8220;Terceiriza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Os ministros v\u00eam acumulando decis\u00f5es para liberar contratos distintos do previsto<br \/>\nna CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), segundo levantamento do grupo de<br \/>\npesquisa Trabalho e Desenvolvimento da FGV Direito SP.<\/p>\n<p>Decis\u00f5es monocr\u00e1ticas sobre terceiriza\u00e7\u00e3o, pejotiza\u00e7\u00e3o e uberiza\u00e7\u00e3o mostram a<br \/>\nrecorr\u00eancia do debate. A rapidez com que os ministros julgam tamb\u00e9m chama a<br \/>\naten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento da FGV, 15,7% das reclama\u00e7\u00f5es constitucionais \u2014<br \/>\ninstrumento usado para derrubar uma decis\u00e3o de inst\u00e2ncia inferior que<br \/>\nsupostamente afronta precedentes do STF\u2014 recebem uma decis\u00e3o monocr\u00e1tica no<br \/>\nmesmo dia ou, no m\u00e1ximo, no dia seguinte \u00e0 chegada do caso que questiona formas<br \/>\nde contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por se tratar de reclama\u00e7\u00f5es, a an\u00e1lise tende a ser de fato mais c\u00e9lere, mas em tema<br \/>\ntrabalhista a agilidade \u00e9 ainda maior. Ao versarem sobre outros temas, apenas<br \/>\n6,29% dos casos foram julgados no mesmo per\u00edodo.<br \/>\nOs dados in\u00e9ditos, aos quais a Folha teve acesso, integram a segunda etapa da<br \/>\npesquisa &#8220;Terceiriza\u00e7\u00e3o e Pejotiza\u00e7\u00e3o no STF: an\u00e1lise das reclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo de Ol\u00edvia Pasqualeto, Ana Laura Barbosa e Laura Fiorotto,<br \/>\nos ministros proferem uma decis\u00e3o em at\u00e9 cinco dias em 33,19% das reclama\u00e7\u00f5es<br \/>\nsobre reconhecimento de v\u00ednculo de emprego. Nos casos gerais, o \u00edndice cai para<br \/>\n21,27%.<\/p>\n<p>Quase metade (48%), de um total de 167 decis\u00f5es, entre janeiro e agosto do ano<br \/>\npassado, derrubou o entendimento da Justi\u00e7a do Trabalho \u2014um n\u00famero<br \/>\nconsiderado elevado.<\/p>\n<p>Segundo Barbosa, o volume alto de reclama\u00e7\u00f5es sobre v\u00ednculos de emprego (12,66%<br \/>\ndo total, em 2023) e a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho nos gabinetes da corte s\u00e3o hip\u00f3teses<br \/>\npara explicar a maior velocidade de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>&#8220;Sendo muitos os casos, eles acabam sendo julgados mais rapidamente. Ent\u00e3o, o<br \/>\nvolume pode contribuir para isso [tempo mais curto para julgamento], pensando<br \/>\nem uma organiza\u00e7\u00e3o do gabinete que procure otimizar mais o trabalho&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho ter\u00e1 o debate ampliado no STF. Pela primeira vez, o<br \/>\nplen\u00e1rio da corte vai decidir sobre o tema. O julgamento estava marcado para esta<br \/>\nquinta-feira (8), mas n\u00e3o chegou a ocorrer. A expectativa \u00e9 o caso volte \u00e0 pauta na<br \/>\nquinta-feira (21), mas a data n\u00e3o est\u00e1 definida.<br \/>\nO tema a ser enfrentado pelo colegiado traz como pano de fundo, segundo<br \/>\nespecialistas ouvidos pela Folha, a licitude de contratos al\u00e9m da carteira assinada,<br \/>\nprevista na CLT.<\/p>\n<p>O caso concreto a ser julgado \u00e9 o de um condutor do Rappi, que teve o v\u00ednculo de<br \/>\nemprego reconhecido na esfera trabalhista.<br \/>\nO relator, ministro Alexandre de Moraes, suspendeu o processo e, em outra<br \/>\nreclama\u00e7\u00e3o, movida pelo Cabify, j\u00e1 havia negado a carteira de trabalho e enviado a<br \/>\na\u00e7\u00e3o \u00e0 Justi\u00e7a comum. A Primeira Turma, por unanimidade, derrubou a<br \/>\ndecis\u00e3o trabalhista.<\/p>\n<p>Em comum, ministros usam fundamenta\u00e7\u00e3o similar para derrubar uma decis\u00e3o de<br \/>\ninst\u00e2ncia inferior. Al\u00e9m disso, recorrem a precedentes, que, em conjunto, mostram<br \/>\nque outros contratos s\u00e3o permitidos.<\/p>\n<p>Entre eles est\u00e3o decis\u00f5es da corte que reafirmam contratos no transporte rodovi\u00e1rio<br \/>\nsem v\u00ednculo de emprego, autorizam terceiriza\u00e7\u00e3o em qualquer atividade e<br \/>\nconsideram l\u00edcita qualquer outra forma de divis\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Para Pasqualeto, os ministros fazem uma interpreta\u00e7\u00e3o ampliada da jurisprud\u00eancia,<br \/>\ne afirma que o caso concreto em an\u00e1lise neste momento \u00e9 mais importante do que o<br \/>\ntempo que se leva no julgamento.<\/p>\n<p>J\u00e1 a advogada Mayra Pal\u00f3poli, s\u00f3cia do Pal\u00f3poli &amp; Albrecht Advogados, destaca os<br \/>\nprecedentes do STF. &#8220;Essas decis\u00f5es podem estar tendo um tr\u00e2mite mais r\u00e1pido<br \/>\nporque j\u00e1 existe um convencimento, j\u00e1 existe uma decis\u00e3o firmada.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ela, que defende empresas que contestam o reconhecimento de v\u00ednculo em<br \/>\ncaso de pejotiza\u00e7\u00e3o, a decis\u00e3o da corte no caso da uberiza\u00e7\u00e3o pode refor\u00e7ar o<br \/>\nentendimento da licitude de outros contratos.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem uma inseguran\u00e7a jur\u00eddica grande com essa mat\u00e9ria. No entendimento<br \/>\nmais amplo, isso tamb\u00e9m seria usado para todos os outros segmentos que usam<br \/>\nformas diversas de contrata\u00e7\u00e3o, como terceiriza\u00e7\u00e3o, pejotiza\u00e7\u00e3o e aut\u00f4nomo&#8221;, diz.<br \/>\nEsse hist\u00f3rico de decis\u00f5es aumenta a expectativa de vit\u00f3ria no plen\u00e1rio do STF no<br \/>\ncaso do Rappi, afirma Daniel Domingues Chiode, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Chiode<br \/>\nMinicucci | Littler, que representa o app na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chiode \u00e9 respons\u00e1vel por outros processos nos quais faz a defesa das empresas de<br \/>\naplicativo. Segundo ele, os argumentos que apresenta aos ministros s\u00e3o todos com<br \/>\nbase em decis\u00f5es j\u00e1 tomadas pelo STF.<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 confiante no que o Supremo j\u00e1 decidiu. Eu n\u00e3o trouxe uma tese<br \/>\ninovadora, eu juntei tudo o que o Supremo j\u00e1 tinha decidido em uma tese s\u00f3,<br \/>\nmostrando que a Justi\u00e7a do Trabalho n\u00e3o est\u00e1 respeitando [precedentes]&#8221;, diz.<br \/>\nO advogado reconhece que existe um v\u00e1cuo legislativo no Brasil sobre a atividade de<br \/>\nmotorista de aplicativo, mas, para ele, a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o leva a uma<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de registro em carteira de trabalho. &#8220;\u00c9 um contrato civil&#8221;,<br \/>\nafirma.<br \/>\nA tese do advogado ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a PGR (Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica)<br \/>\nmudar o posicionamento sobre os apps. Antes, a PGR acreditava que havia v\u00ednculo<br \/>\nempregat\u00edcio pela CLT, agora fala em trabalho aut\u00f4nomo.<br \/>\nEm nota, o Rappi afirma que a discuss\u00e3o ser\u00e1 &#8220;uma sinaliza\u00e7\u00e3o importante&#8221; para as<br \/>\nplataformas digitais, trazendo seguran\u00e7a jur\u00eddica e garantindo &#8220;continuidade desse<br \/>\nsetor econ\u00f4mico&#8221;.<\/p>\n<p><em>Artigo originalmente publicado no dia 9 de fevereiro de 2024 no site da Folha de S. Paulo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ministros v\u00eam acumulando decis\u00f5es para liberar contratos distintos do previsto na CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), segundo levantamento do grupo de pesquisa Trabalho e Desenvolvimento da FGV Direito SP. Decis\u00f5es monocr\u00e1ticas sobre terceiriza\u00e7\u00e3o, pejotiza\u00e7\u00e3o e uberiza\u00e7\u00e3o mostram a recorr\u00eancia do debate. 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